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RESENHA POLÍTICA- A iniciativa do Ministério Público Federal de mapear possíveis casos de assédio judicial contra jornalistas em Rondônia merece reconhecimento e aplausos.

É evidente que excessos praticados por qualquer profissional da comunicação devem ser corrigidos pelos instrumentos legais adequados

 RESENHA POLÍTICA- POR ROBSON OLIVEIRA



IMPRENSA
A iniciativa do Ministério Público Federal de mapear possíveis casos de assédio judicial contra jornalistas em Rondônia merece reconhecimento e aplausos. Até aqui, não se identificam, no cenário local, episódios evidentes que caracterizem o uso abusivo do Judiciário com o propósito de silenciar a imprensa ou constranger o exercício da atividade jornalística.
COMPROMISSO
Ainda assim, a medida do MPF revela prudência institucional e compromisso com valores essenciais da democracia. A simples disposição de ouvir entidades representativas, levantar informações e promover o debate público funciona como fator de inibição a eventuais tentativas de intimidação futura.
CENSURA
É evidente que excessos praticados por qualquer profissional da comunicação devem ser corrigidos pelos instrumentos legais adequados, assegurando-se o direito de resposta e a responsabilização quando cabível. O que não se pode admitir são interpretações elásticas da legislação destinadas a transformar a Justiça em mecanismo de censura indireta.
GARANTIA
A imprensa livre não é um privilégio dos jornalistas; é uma garantia da sociedade. É por meio dela que abusos são revelados, desvios são denunciados e avanços autoritários encontram resistência. Proteger a liberdade de imprensa é proteger o direito do cidadão à informação. E, nesse aspecto, o MPF cumpre um papel que honra sua missão constitucional: vigiar para que o medo jamais substitua a liberdade de informar.
EXPLORAÇÃO
O episódio talvez revele menos sobre divergências entre aliados e mais sobre o ambiente de desconfiança instalado no núcleo da pré-campanha do PSD. Reuniões políticas tensas são absolutamente normais. Discussões ásperas, cobranças e imposições fazem parte do jogo do poder. Também não há qualquer anormalidade em nomes ligados ao governador, como a primeira-dama, Massud Badra e Elias Rezende, ocuparem posições estratégicas numa eventual coordenação de campanha de um aliado. Quem explora isso como escândalo o faz, naturalmente, por conveniência política.
TRAIÇÃO
O verdadeiro problema está em outro lugar: o vazamento. Se o encontro era reservado e contou apenas com pessoas de confiança, alguém decidiu transformar bastidores em munição política. E isso é muito mais grave do que qualquer bate-boca entre aliados. Campanhas eleitorais são vencidas com estratégia, disciplina e lealdade.
ALERTA
Quando informações internas começam a abastecer o noticiário por mãos que estavam sentadas à mesa, o alerta deve soar. O inimigo pode não estar do lado de fora. Poucos perceberam, mas a principal notícia desse episódio envolvendo Marcos Rocha, Adailton Fúria, esposas e assessores não é a existência de divergências, e sim a presença de infiltrados ou de quem, por vocação ou interesse, prefere o papel de delator ao de aliado. Nenhum projeto político prospera quando a confiança deixa de frequentar a mesma sala que seus protagonistas.
ESTRAGOS
O PSD liderado por Marcos Rocha e Adailton Fúria devem ficar atentos porque traidor dentro da própria casa em campanha costuma fazer mais estragos do que adversários. Isto sim ninguém percebeu em tudo que foi divulgado. Os estragos podem ser incomensuravelmente desastrosos. O resto lorota.
BOBAGEM
Adailton Fúria parece incomodado com a insistência de alguns jornalistas em explorar sua proximidade política com o governo. É uma reação compreensível, mas desnecessária. Afinal, são aliados e não há nada de indecoroso nisso. Toda aliança traz consigo bônus e ônus, especialmente quando alguns apoiadores carregam elevada taxa de rejeição ou despertam críticas contundentes. Mas eleição se decide no confronto de ideias, na capacidade de convencer o eleitor e na apresentação de propostas. No fim das contas, o cidadão julga o candidato. Apoios ajudam ou atrapalham momentaneamente, porém raramente determinam sozinhos o resultado das urnas.
EMENDAS
Antes de tudo, é preciso reconhecer: a bancada federal de Rondônia trouxe emendas para os municípios. Mas convém separar mérito de obrigação. Emendas parlamentares individuais são recursos previstos no orçamento, distribuídos como cota aos congressistas. Não representam favor pessoal, tampouco gesto de generosidade política. São instrumentos institucionais que todos os parlamentares do país utilizam.
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O problema começa quando se tenta transformar o cumprimento do mínimo em façanha histórica. Outdoors, discursos e redes sociais vendem como extraordinário aquilo que deveria ser rotina do mandato. Enquanto se exalta a entrega de ambulâncias, tratores e pequenas obras, faltam resultados concretos nas grandes pautas estruturantes que realmente alteram o destino do Estado.
OMISSÃO
A bancada falhou em exercer o peso político necessário para enfrentar a abusiva política de pedágios na BR-364, que impõe custos elevados à população e ao setor produtivo. Rondônia assistiu, praticamente inerte, à consolidação de uma das maiores formas de extorsão oficializada contra quem depende da principal rodovia do Estado para trabalhar, produzir e se deslocar. Agora, com o prejuízo eleitoral exposto, tentam enrolar o eleitor com discursos tardios.
PRESTÍGIO
Também não houve capacidade de articulação suficiente para arrancar da União investimentos mais robustos em infraestrutura. Muitas obras anunciadas são frutos de planejamentos iniciados há anos ou avançam em ritmo incompatível com as necessidades rondonienses. Em alguns casos, permanecem apenas no terreno das promessas e das placas de inauguração antecipada. Aqueles que saíram do papel é fruto do Governo federal. E não prestígio dos nossos parlamentares.
EFICIÊNCIA
Uma bancada federal existe para muito mais do que distribuir emendas. Espera-se dela influência política, capacidade de negociação e defesa intransigente dos interesses coletivos. Espera-se liderança diante dos problemas que afetam milhares de cidadãos, e não apenas eficiência na divulgação publicitária dos recursos encaminhados.
LEGADO
Ao final de quatro anos, a pergunta que permanece é simples: além das emendas - que são dever institucional e não favor - qual legado efetivo essa bancada deixa para Rondônia? Se a resposta exigir muito esforço para ser encontrada, talvez ela revele, por si só, o tamanho da dívida política acumulada com a população do Estado.
PESO
Durante quase uma década, o ex-prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo Pires, conviveu com o peso de acusações, insinuações e campanhas de desinformação que tentavam vinculá-lo aos problemas envolvendo investimentos do fundo previdenciário municipal. Desde 2016, adversários políticos transformaram suspeitas em narrativas prontas, mesmo sem a existência de indiciamento formal contra o ex-prefeito.
CORREÇÃO
O relatório final da Polícia Federal, concluído em 2026, descreve os fatos investigados, aponta responsabilidades de gestores diretamente ligados às operações financeiras e detalha as decisões tomadas no âmbito do RPPS. Jesualdo aparece citado apenas em razão do cargo que ocupava à época, sem figurar entre os investigados centrais do inquérito.  
FAKE
Ao longo dos anos, porém, a internet e os palanques produziram uma condenação paralela. Bastava seu nome surgir em qualquer documento para que aparecessem versões fantasiosas tentando colocá-lo no centro dos acontecimentos. Hoje a verdade se impõe e comprova que o ex-prefeito sempre foi um político correto que soube honrar os mandatos que exerceu ao longo da vida.
COMPARACÃO
A comparação com o ex-prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, é inevitável. Roberto chegou a ser preso, exposto publicamente e posteriormente inocentado. Jesualdo sequer foi indiciado, mas enfrentou um tribunal informal alimentado por boatos e interesses eleitorais.
DESTAQUE
A política tem dessas ironias: às vezes a absolvição judicial chega antes da absolvição das redes sociais. No caso de Jesualdo Pires, os anos passaram, as investigações avançaram, os fatos foram examinados e as acusações propagadas por adversários continuaram sem produzir a prova que prometiam encontrar. Enquanto isso, a suspeita virou manchete; a ausência de prova, para muitos, nunca recebeu o mesmo destaque.
RESPEITO
Jesualdo Pires, para este cabeça chata, nunca foi suspeito, mas um político da mais alta qualidade que tem deste escriba admiração e respeito. O relatório da PF afastando dele qualquer suspeita demorou, mas antes tarde do que nunca.
 
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