Fuga de Flávio, articulações de Lula para 2027 e 'reconfiguração' da direita: o que mudou uma semana após a eleição
A semana que sucedeu a vitória histórica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi marcada por mudanças no cenário político brasileiro. Reeleito para um quarto mandato, com início previsto para 5 de janeiro de 2027, o petista viu o adversário deixar o País, enquanto lideranças da direita começaram a se distanciar do senador. Ao mesmo tempo, o presidente passou a articular a composição de seu próximo governo diante de um Congresso ainda mais conservador.
Desde a votação de 25 de outubro, a fuga de Flávio para os Estados Unidos, as falsas acusações de fraude eleitoral feitas pelo senador e a reação de seus aliados expuseram divergências dentro da oposição. Lula, por sua vez, adotou uma postura de cautela diante das declarações do adversário e iniciou movimentos para ampliar sua base de apoio parlamentar.
Veja o que mudou uma semana após o fim das eleições:
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e não recebe apoio de aliados
A derrota nas urnas foi seguida pela fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos. O senador deixou o País depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, na segunda-feira, 26, que ele entregasse seus passaportes, em meio a uma investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro.
Apesar de não ter sido formalmente acusado de nenhum crime, Flávio está prestes a perder a imunidade parlamentar, no início de 2027, após o encerramento de seu mandato como senador. A mudança poderá deixá-lo sujeito a processos relacionados a diferentes investigações criminais.
Flávio Bolsonaro desembarcando em aeroporto em Miami, na Flórida (EUA), após fugir do Brasil
Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters
A crise ganhou novos contornos na quarta-feira, 28, quando o candidato derrotado divulgou, em sua conta na rede social X, um pronunciamento por escrito no qual se declarou "o verdadeiro presidente do Brasil" e alegou que houve "fraude eleitoral", sem apresentar provas. Pouco depois, o senador apagou a publicação e divulgou uma nova versão, praticamente idêntica à anterior. A principal alteração foi a substituição da expressão "o verdadeiro presidente" por "o líder do Brasil".
A mudança ocorreu após uma orientação do governo dos Estados Unidos, segundo apuração da GloboNews. Assessores do Departamento de Estado americano avaliaram que a formulação inicial poderia dar a entender que Washington reconhecia Flávio como presidente eleito, com possíveis prejuízos às relações diplomáticas com o Brasil.
A alteração do texto, no entanto, não significa que o governo de Donald Trump tenha decidido respaldar as pretensões do senador. Fontes ouvidas pela agência Reuters afirmaram que, embora os Estados Unidos tenham ajudado Flávio a deixar o Brasil, Trump não pretende apoiar, neste momento, a alegação de que o brasileiro é o "líder do Brasil".
Fonte: Com informações do site Terra
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