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RESENHA POLÍTICA- DIREITA Em Rondônia, três candidatos da direita despontam como principais concorrentes ao governo.

Por Robson Oliveira


 


MANIPULAÇÃO

As mídias digitais revolucionaram os meios convencionais pelos quais o cidadão acessa

informações, oferecendo em tempo real uma gama quase infinita de notícias. O problema é

que, com elas, surgiu também uma “nova verdade”, hoje conhecida como fake news. O que no

passado era apenas uma “barrigada”, no jargão jornalístico, transformou-se em versões falsas

reproduzidas de forma acintosa, rápida e viral, a ponto de a mentira assumir contornos de

verdade.

Um exemplo clássico em Rondônia é a falsa narrativa de que uma lei aprovada pela Assembleia

Legislativa teria sido feita para atender especificamente a Energisa. Se isso fosse verdade, seria

flagrantemente inconstitucional, pois não se pode legislar para atender interesses individuais,

sejam de pessoas físicas ou jurídicas.


REFIS

O que o Governo de Rondônia fez — assim como fazem estados e municípios em todo o país

— foi encaminhar um Projeto de Lei ao Poder Legislativo criando um programa de

refinanciamento de débitos tributários. O objetivo é permitir que empresas, grandes ou

pequenas, quitem pendências fiscais sem o acréscimo de juros punitivos.

Isso não configura renúncia fiscal, como afirmam desinformados de ocasião. Trata-se de um

instrumento jurídico legal, utilizado há décadas, para incrementar a arrecadação e evitar a

falência de empresas. Muitos empresários e cidadãos comuns já recorreram ao Refis para

regularizar dívidas e manter seus negócios. Ainda assim, há quem critique o mecanismo

quando ele alcança empresas maiores, como se o benefício pudesse ser exclusivo. Eis a má-fé

travestida de crítica moral.


ENERGISA

Antes que se diga que esta coluna faz defesa da Energisa ou que exista algum vínculo de

patrocínio, é preciso esclarecer: o refinanciamento de créditos tributários é prática

consolidada no sistema tributário nacional. Estados e municípios o utilizam para regularizar

passivos, preservar atividades econômicas e garantir arrecadação futura.

Sem esse instrumento, muitas empresas quebrariam e jamais quitariam seus débitos,

causando prejuízo ainda maior ao erário.


FAKE

Embora todas as grandes empresas devedoras sejam alcançadas pelo Refis, apenas a

companhia de energia virou a “Geni” das narrativas distorcidas. É falso afirmar que a lei anistia

dívidas. O que se exclui são juros extorsivos, que inviabilizam negócios e empregos.

O Tesouro estadual arrecadará milhões com o Refis, ao contrário do que propagam as fake

news. Parte expressiva desse montante será repassada aos municípios. Porto Velho, por

exemplo, deverá receber cerca de cinquenta milhões de reais. Não por acaso, a Associação dos

Prefeitos foi uma das principais defensoras da proposta. Curiosamente, os prefeitos não foram

alvo das críticas, o que revela o verdadeiro objetivo da desinformação: desgastar o governo e o

parlamento.


CRÍTICA

É função do jornalismo informar e criticar governos e empresas que não se comportam de

forma ética. Um país livre é aquele que garante o direito à informação sem censura ou

amarras. Mas é também dever ético apurar corretamente os fatos, evitando manipulações que

transformem mentira em verdade.

Por isso, os Tribunais Eleitorais têm se mostrado vigilantes neste ano eleitoral. Uma fake news,

uma vez lançada, produz estragos muitas vezes irreversíveis.


INSANIDADE

O país está tão conflagrado pela polarização entre lulistas e antilulistas que até políticas

públicas elementares viram disputa ideológica. O programa “Gás do Povo”, destinado a

fornecer botijões de gás a famílias humildes, foi atacado como se fosse heresia política.

Só um parlamentar desprovido de sensibilidade social vota contra um projeto de alcance social

tão evidente. A polarização atrai, além de fanáticos, gente incapaz de qualquer gesto mínimo

de generosidade.


POLARIZAÇÃO

Os números obtidos por Jair Bolsonaro na última eleição presidencial reaparecem, com

variações mínimas, nas pesquisas atuais envolvendo seu campo político. Isso demonstra que a

polarização permanece sólida e tende a se repetir. Lula, por sua vez, enfrenta um antilulismo

consolidado, que explica a manutenção do embate binário. O centro político segue

fragmentado e incapaz, até agora, de romper essa lógica.


PROBABILIDADE

Pesquisas indicam favoritismo de Lula em diversos cenários, mas também revelam fadiga do

eleitorado. O presidente é um líder histórico, porém carrega limitações naturais de um político

em final de carreira. Seu capital simbólico permanece relevante, sobretudo no exterior, mas


internamente enfrenta resistência crescente. A eleição tende a ser decidida menos pela paixão

e mais pelo medo de aprofundamento da polarização.


MEDÍOCRE

Independentemente das preferências ideológicas, Flávio Bolsonaro nunca se destacou como

parlamentar. Sua trajetória na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi marcada pelo

escândalo da rachadinha, cuja investigação foi anulada por questões processuais que ainda

causam perplexidade. Ainda assim, demonstra musculatura eleitoral suficiente para enfrentar

Lula, para surpresa de petistas e céticos. A disputa será definida pelo eleitor de centro, atento

aos riscos da radicalização.


VITÓRIA

Lula segue competitivo, mas seu brilho político já não é o mesmo do passado. Gafes

recorrentes e dificuldades em improvisar revelam um líder que carrega cacoetes de outra era.

Por isso, sua campanha tende a ser cada vez mais controlada. Ainda assim, permanece como o

nome progressista brasileiro mais respeitado internacionalmente.


DIREITA

Em Rondônia, três candidatos da direita despontam como principais concorrentes ao governo.

A disputa entre eles passa pela tentativa de se apresentar como o mais conservador,

especialmente nos debates. Caso a polarização nacional contamine o cenário estadual, o apoio

explícito de lideranças bolsonaristas poderá pesar. Marcos Rogério tende a ser beneficiado,

embora ainda não seja claro se isso será suficiente para garantir a vitória.


RONDÔNIA

No segundo turno, a influência do cenário nacional pode ser decisiva. Em Rondônia, o petismo

é demonizado por parcelas expressivas do eleitorado, tanto pobre quanto rico. Isso cria um

ambiente adverso para qualquer candidatura identificada com a esquerda. Vencer exigirá

diálogo com o centro e habilidade para neutralizar o discurso ideológico radicalizado.


CASSOL

É risível o debate nas redes sobre o suposto apoio de Ivo Cassol após uma foto protocolar.

Todos desejam sua adesão, e a gritaria parte justamente de quem almejava o mesmo gesto.

Convém, contudo, não superestimar esse apoio. Cassol gosta de ser bajulado, mas não tolera

ver outro na cadeira de governador. Seu respaldo costuma ser protocolar, fotográfico e sem

convicção. Amor a Rondônia nunca foi seu traço dominante. Ingênuo é quem cai em suas

esparrelas.

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