FACE OCULTA- Um ano depois, operação que afastou Thiago Tezzari por possíveis "rachadinhas "expõe esquema com laranjas e assessores fantasmas
A operação deflagrada pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) que resultou no afastamento do vereador Thiago Tezzari (PSDB) da Câmara Municipal de Porto Velho completa um ano no próximo mês. Batizada de "Face Oculta", a ação revelou um sofisticado esquema de "rachadinhas" operado diretamente do gabinete parlamentar, envolvendo coação a assessores, uso de empresas de fachada e promessas de cargos em troca de vantagens financeiras.
As medidas foram autorizadas em 30 de setembro de 2025 pela 2ª Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de Rondônia, que deu sinal verde para buscas, quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático, além do afastamento de seis servidores por 30 dias. Na ocasião, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão. A Justiça considerou que havia indícios suficientes de crimes de peculato, concussão, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
De acordo com a investigação, os assessores do parlamentar eram coagidos a devolver parte dos salários por meio de depósitos, transferências eletrônicas e até entregas em dinheiro vivo. Para dificultar o rastreamento da origem dos recursos, pessoas físicas e empresas eram usadas como "laranjas". Um dos depoimentos que embasaram a decisão judicial descreveu uma negociação política: um auxiliar de campanha teria recebido a promessa de um cargo com remuneração de quatro salários-mínimos e a indicação de três comissionados com vencimentos de R$ 3 mil cada.
Segundo denúncias, o caso foi evidenciado ainda mais quando a polícia rastreou pagamentos feitos por uma empresa de serviços cuja sede, na realidade, era um terreno baldio. A mesma testemunha relatou que, ao cobrar a nomeação, passou a receber valores mensais sem vínculo empregatício, incluindo R$ 3,5 mil repassados pela empresa fantasma e outros pagamentos fracionados de R$ 411 e R$ 1,1 mil enviados por uma assessora do vereador.
Aliado declarado do atual candidato ao Governo de Rondônia, Adailton Fúria, Tezzari ocupou cargos de destaque na gestão de Cacoal e é visto como um dos principais entusiastas da campanha do correligionário na capital. O envolvimento no escândalo, no entanto, gerou desgaste político.
Em sua defesa, o vereador sempre negou as acusações.
Apesar do afastamento inicial, Thiago Tezzari retornou às atividades parlamentares em dezembro de 2025, após o término da medida cautelar. Contudo, a investigação segue em andamento na esfera criminal, e o parlamentar continua sujeito às delações e documentos apreendidos que podem aprofundar seu enquadramento na legislação penal. A expectativa agora é pelos próximos desdobramentos do Ministério Público e da Polícia Civil sobre o destino final do caso.
Fonte: Com informações do site Rondoniagora
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